2. Aprendi a lição - continuação do memorial
Não era cabível, de forma alguma falar da minha formação profissional, sem relembrar da experiência vivida em casa, já que meus pais sempre fizeram questão de dizer que a educação é o maior bem que temos, esse era a maior herança que poderia nos proporcionar. Portanto julgo-os como necessário na minha influencia de formação.
Desde cedo incentivaram e patrocinaram meus estudos, fazendo absorver, assim o valor da educação na vida do ser humano. Faz isso já que nunca tiveram direito de estudar, mas sim trabalhar para sustentar os irmãos.
Nesse contexto, desde muito cedo, eu e minha irmã, absorvemos esse valor, assim também amadurecia a vontade de enveredar pela docência, na infância isso foi mais constante, via com bons olhos o trabalho da minha professora ao me fazer juntar as primeiras silaba, um trabalho tão bonito queria contribuir para o crescimento de alguém também.
No começo da adolescência, essa idéia não era mais cabível, passava por mudanças físicas, comportamentais e psicológicas, que me fizeram repensar vários aspectos e valores que gostaria de ter no futuro. Os meus professores desestimularam mais ainda, agora não me era tão aceitável o fato de atuar na docência, já que os alunos não respeitavam e muito menos gostavam de trilhar pelos caminhos da educação e os docentes reclamavam a todo o momento lamentações escutava sempre diziam “nunca queiram ser “sofressor” agente trabalha tanto e quase morre de fome ”.
De fato eu sabia que não era fácil mesmo não, pois após o seu longo dia, ainda levara trabalho para casa. Mesmo assim sentia atração avassaladora pela historia e geografia, mas em geografia, os cálculos que nela contém não me agradavam tanto, quanto refletir sobre os problemas atuais. Estava querendo mais a indecisão tomava conta do meu ser assim busquei apoio.
Lembro que quando disse a meu pai que iria prestar vestibular para área da docência ele não gostou de saber e muito menos meus colegas, esses que me “crucificaram”. Os professores diziam “tanta profissão você escolhe a mais sofredora”. Confesso fui fraca me rendi, prestei para a área jurídica, mesmo não me espelhando na mesma, resultado não passei para a frustração da família que já sonhava com um futuro “garantido e seguro”.
Assim adquiri forças e decidi que faria licenciatura na área de historia, decidida encontrei apoio de alguns, assim comecei realizar algumas metas que já estavam traçadas em minha vida – o querer, saber, o viver.
Direcionar minha vida ao querer é de fundamental importância já que tudo que se deseja ardentemente ocorre, o esforço para conseguir acaba sendo determinante para fazer crescer a forca de vontade, nesse momento o saber vem à tona, esse que move todas as diretrizes humanas, não há nada mais precioso do que adquirir e passar um pouco do que se sabe para os outros, exatamente nesse contexto entra o viver junto com o querer e o saber sendo um aliado para a busca de um mundo melhor e a alegria de pode colher a sementezinha que há tanto tempo plantou, regou e agora usufruir dos frutos.
Mesmo assim entrei na academia com o pensamento mesmo que ser docente era amargar na solidão constante de livros e vida de renuncia material, mas por outro lado meu ser resplandecia de felicidade por fazer o que eu gosto.
No primeiro ano na universidade, nas discussões nas cadeiras da área de pratica pedagógica I, ministradas pela professora Vanuza Sousa Silva, me fez ter realmente a certeza que isso era o meu mundo, minha vida, mesmo com medo de não ser capaz de assumir a postura de professor e precisando amadurecer as idéias, conseguia enxergar nas discussões teóricas como: o professor comparado a jardineiros e alunos como flores, ou então o ensinar com entusiasmo já que a vida por si e tão amarga motiva a todos, ou ate mesmo fazermos uma reflexão sobre o momento que passamos pela escola é tudo muito rápido, que muitas vezes não se deixa marcas, onde os alunos só querem realmente a nota e os professores desejam e sobreviver- mudar isso não e tão distante.
Assim encontrara o que buscava uma razão pela minha existência, mesmo relutando e pensando se tinha sido a escolha certa. Mas a situação complicou quando vieram todas as discussões sobre “currículo” e a escola como um todo, ou professores que também estavam desacreditados com a profissão e com a educação no Brasil, repassava conselhos inversos do que gostaríamos. Pensei até em desistir, porém não podia ser fraca novamente e deixar me abalar por isso, criei mecanismo de defesas a isso, uma vez que escutara tanto que não dava tanta importância, fui trabalhando isso em minha pessoa humana.
As discussões se elevam, o desejo aumenta quando tudo parece pedido e encontramos professores que os “chamo de anjos” vem e levantam nosso astral, levantam a poeira, exibi com gosto à profissão, esses sim devem ser chamados como toda a certeza de professores construtores e edificadores, esses sim tem todo o meu respeito e gratidão, por mostrar sorrindo o quanto de bom tem o fato ficar mais tempo acordado, simplesmente para corrigir atividades ou elaborar exercícios de fixação, ou por preparar uma aula diferente, ou simplesmente olhar nos olhos e dizer “queridos a vida é bela ou porque tanto desanimo, sorriam”, isto é a essência do valor humano, a amor pelo que faz o torna um ser glorificado por todos, a eles eu tiro o chapéu e os digo-vos amo de todo coração e deixo aqui imortalizado o meu sentimento de gratidão.

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